Ulcer Grant US Death | CD Nacional Heavy Metal Novo R$ 37,50

Produto: Ulcer Grant US Death | CD Nacional Heavy Metal Novo R$ 37,50

Tipo de midia: CD – Jewel Case (Acrilico)

Pais de fabricacao: Brasil

Condicao: Novo

Disponibilidade: Em estoque

Preco a vista: R$ 37,50

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Sobre a banda

Ulcer é uma banda polonesa de Death Metal formada em Lublin, em 2006, e pertencente à geração que, a partir dos anos 2000, ajudou a recuperar a estética do Death Metal clássico dos primeiros anos da década de 1990. Embora a Polônia já possuísse uma tradição extremamente forte no gênero, representada por nomes como Vader e Behemoth, o Ulcer escolheu deliberadamente outro caminho: em vez de buscar uma sonoridade técnica, moderna ou progressiva, voltou-se para a escola sueca de Death Metal, especialmente para a linguagem desenvolvida em Estocolmo por Nihilist, Entombed, Dismember e Unleashed.

A história inicial da banda é reveladora. O projeto foi criado por LucaSS originalmente como uma iniciativa pessoal, mas rapidamente transformou-se em uma formação completa. Depois de duas demos, A Property of God? e Slitwrist Society, e do álbum Serpent Trinity, gravado em 2007 mas durante muito tempo sem lançamento formal, o grupo passou por mudanças de formação até chegar ao sexteto que registrou Grant Us Death. D.ssipline e Angelfuck dividiam os vocais, LucaSS e Mścisław ocupavam as guitarras, Szwed tocava baixo e Wizun assumia a bateria.

Grant Us Death surgiu em 2013 pela Pulverised Records e representa o momento em que o Ulcer encontrou sua identidade definitiva. O título do álbum já anuncia a proposta: não existe aqui qualquer tentativa de suavizar ou atualizar o Death Metal. O objetivo é reproduzir a sensação física, agressiva e insalubre dos primeiros discos da cena sueca, utilizando riffs cortantes, bateria veloz, vocais cavernosos e uma produção deliberadamente áspera.

O elemento mais imediatamente reconhecível é o timbre das guitarras. Extremamente saturado, grave e áspero, ele cria aquela massa sonora que ficou associada ao chamado som de motosserra do Death Metal sueco. Entretanto, reduzir o disco ao timbre seria injusto. O que sustenta Grant Us Death são os riffs. A banda trabalha com alternância entre ataques rápidos, passagens cadenciadas, D-beats, mudanças de dinâmica e momentos em que as guitarras deixam de funcionar apenas como parede sonora para criar pequenas estruturas melódicas.

A faixa-título, Grant Us Death, abre o álbum com exatamente essa combinação. A música alterna velocidade e peso, utilizando riffs que parecem avançar em blocos, enquanto a bateria mantém uma tensão constante. Não é uma abertura construída para impressionar pela técnica; seu objetivo é estabelecer imediatamente o ambiente do disco. E consegue.

Devilspeed acelera ainda mais o andamento e aproxima o Ulcer do lado mais punk e visceral do Death Metal sueco. Bloodpainted Salvation apresenta uma construção mais trabalhada, com riffs que permanecem na memória depois do término da faixa. The Love Song diminui a velocidade e introduz uma das características mais interessantes do álbum: momentos melódicos inseridos dentro de uma estrutura essencialmente brutal. É justamente nesses pequenos contrastes que o repertório evita tornar-se completamente uniforme.

Godcremation e Thanatoeuphoria reforçam a conexão com o Death Metal de Estocolmo, mas demonstram que a banda compreendia não apenas o timbre, mas também a maneira como aqueles grupos construíam seus riffs. Há uma sensação constante de familiaridade, como se fragmentos de uma linguagem conhecida fossem reorganizados em novas composições.

Devitalized acrescenta uma dose mais evidente de Thrash à receita, enquanto The Pact trabalha com uma estrutura particularmente eficiente de tensão e liberação. My Lord Has Horns apresenta uma abordagem ligeiramente mais melódica e pesada, preparando o terreno para When Horror Comes, encerramento curto e agressivo que termina o álbum sem qualquer tentativa de produzir um grand finale convencional.

Um dos diferenciais de Grant Us Death está também na presença de dois vocalistas. D.ssipline e Angelfuck acrescentam variações de textura às vozes extremas, reforçando a impressão de uma massa sonora coletiva. O resultado não é tecnicamente sofisticado no sentido moderno, mas possui exatamente a brutalidade e a imperfeição controlada que a proposta exige.

A gravação no Sinquest Sound Studio, em Lublin, com Grzegorz Kulawiak e o próprio Ulcer envolvidos na gravação, mixagem e masterização, foi fundamental para esse resultado. O som é espesso e agressivo, mas suficientemente definido para que os riffs continuem perceptíveis dentro da massa de distorção. A produção não procura modernizar o grupo; procura fazer com que ele soe como se tivesse sido desenterrado de uma sessão de gravação esquecida do início dos anos 1990.

A parte mais controversa do álbum é justamente aquilo que também constitui seu maior atrativo. Grant Us Death é pouco original. A influência de Dismember, Entombed, Nihilist e Unleashed é tão evidente que, em vários momentos, a distância entre homenagem e reprodução praticamente desaparece. Algumas críticas da época apontaram exatamente essa limitação, observando que determinadas estruturas e sonoridades parecem extremamente familiares. Entretanto, para quem procura inovação, o álbum provavelmente não deveria ser o ponto de partida. Para quem procura a atmosfera do Death Metal sueco clássico, a questão é outra.

O mérito do Ulcer está em compreender essa linguagem com competência. Os riffs possuem impacto, a seção rítmica mantém o álbum em movimento e a produção consegue reproduzir com eficiência a textura que tornou célebre o Death Metal de Estocolmo. Não é um disco revolucionário, mas tampouco é um exercício displicente de nostalgia. Existe domínio técnico suficiente para transformar a influência em um álbum coeso, violento e convincente.

Visualmente, Grant Us Death complementa perfeitamente essa proposta. A arte de Bartłomiej Kurzok utiliza uma estética macabra que combina com os temas de morte, horror, niilismo e profanação presentes no repertório. Nada no projeto gráfico procura suavizar a experiência: capa, títulos e música apontam para o mesmo universo sombrio.

Para o colecionador, Grant Us Death possui ainda um interesse histórico adicional. Ele documenta um momento importante da cena underground europeia em que uma nova geração de músicos revisitava obsessivamente as primeiras escolas do Death Metal, recuperando não apenas as composições, mas também a estética de produção e a atitude que haviam caracterizado aqueles discos. O lançamento pela Pulverised Records colocou o Ulcer em uma posição privilegiada dentro desse movimento de resgate do Death Metal old school.

Grant Us Death não pretende reinventar o gênero e sua própria força nasce dessa escolha. É um álbum de atmosfera, riffs e violência sonora, construído com enorme respeito pela tradição sueca. Para alguns ouvintes, a proximidade com seus modelos será excessiva; para outros, será precisamente o motivo pelo qual o disco continua atraente. Entre os inúmeros lançamentos da onda revivalista do Death Metal, o Ulcer se destaca pela competência com que reproduz essa linguagem e pela capacidade de transformar referências conhecidas em um trabalho consistente.

Para quem sente falta daquele som sujo, grave, distorcido e ameaçador que marcou os primeiros anos do Death Metal escandinavo, Grant Us Death é uma descoberta particularmente interessante. Não é uma peça perdida de Estocolmo, mas uma convincente interpretação polonesa de uma das linguagens mais influentes e reconhecíveis da história do Metal extremo.